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URSA – Urbanização e Saúde na Amazônia

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Apresentação

O projeto URSA (Urbanização e Saúde na Amazônia) investiga a relação entre transformações populacionais na região amazônica e saúde. A premissa central é que a combinação de adensamentos urbanos com vulnerabilidade social e ambiental, sem políticas públicas adequadas, cria condições para a emergência de patógenos e a manutenção de endemias.

O projeto organiza dados abertos que contemplam as dimensões econômica, ambiental e de saúde no gradiente urbano-rural na Amazônia, utilizando o dataset Trajetórias, que compreende indicadores ambientais, socioeconômicos e de incidência de doenças vetoriais entre 2000 e 2017 em 772 municípios de nove estados da Amazônia Legal Brasileira.

Equipe

MembroFunção
Flávio Codeço CoelhoCoordenador (EMAp/FGV)
Cláudia CodeçoCoordenadora (Fiocruz)
Anielli SouzaPesquisadora Pós-doutorado (INPE/FGV)
Daniel CâmaraPesquisador Pós-doutorado (FGV)
Carlos FonsecaMestrando (EMAp)
Maria Eduarda MesquitaBolsista IC
Ana Julia AmaroBolsista IC
Silvia MauésColaboradora (VigiFronteiras/SVS Macapá)

Objetivos

  • Organizar repositórios de dados abertos cobrindo as dimensões econômica, ambiental e de saúde ao longo do gradiente urbano-rural na Amazônia
  • Definir superfícies de risco para doenças transmissíveis como leishmaniose, raiva e dengue
  • Desenvolver modelos dinâmicos espaço-temporais de transmissão
  • Incorporar os processos de transformação da paisagem nos modelos de risco e transmissão
  • Apoiar a vigilância em saúde única através da modelagem prospectiva do risco epidemiológico

Resultados

1. Inventário de dados espaciais

Um inventário sistemático de dados geoespaciais de acesso livre e aberto para a Amazônia e o Brasil foi elaborado. Os dados estão armazenados no GeoServer (info.dengue.mat.br/geoserver), que atualmente reúne informações ambientais e socioeconômicas/demográficas desde 1987, com resoluções espaciais de 1 km, 100 m e 30 m. Todas as camadas são acessíveis via serviços WFS e WCS, permitindo integração direta com o QGIS.

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Fontes de dados incluem: TerraClass, MapBiomas (uso e cobertura do solo, queimadas, desmatamento), PRODES, GHSL (densidade populacional, superfície construída) e diversos produtos do IBGE (malhas municipais, setores censitários, bacias hidrográficas, REGIC, áreas indígenas).

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2. Classificação de risco de Leishmaniose Tegumentar – Oiapoque (AP)

Sob a perspectiva da saúde única, foram mapeadas áreas potenciais de ocorrência da leishmaniose tegumentar (LT) em 2022, considerando a paisagem como mediadora dos processos saúde-doença. A metodologia classifica o risco em quatro categorias: risco autóctone alto, risco alóctone alto, risco moderado e risco baixo.

Dados socioambientais (uso e cobertura da terra, densidade populacional, redes de drenagem e estradas) foram integrados em células de 2×2 km. Um classificador supervisionado baseado em árvores de decisão com método boosting foi treinado, obtendo 94% de acurácia global. Das 6.062 células mapeadas, 25 foram classificadas como risco autóctone alto, 467 como risco alóctone alto, 4.409 como risco moderado e 1.161 como risco baixo.

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3. População Sintética

Uma população sintética está sendo desenvolvida a partir dos dados do censo brasileiro de 2022 para o município de Oiapoque. A abordagem cria domicílios povoados conforme a distribuição de moradores por domicílio ao nível de setores censitários (97 setores). Indivíduos recebem características demográficas (sexo, faixa etária) correspondentes às distribuições censitárias e são vinculados aos domicílios. O conjunto resultante preserva as propriedades estatísticas da população real, viabilizando a modelagem epidemiológica.

4. Automatização do mapeamento de risco

Um pipeline computacional está sendo desenvolvido para automatizar a geração de grades espaciais regulares e o cálculo de métricas de paisagem a partir de dados geoespaciais vetoriais. O sistema suporta células de tamanho configurável (padrão 2×2 km), processamento paralelo para escalabilidade e modo de teste para validação rápida.

5. Workshop Internacional

Um workshop internacional foi realizado nos dias 26 e 27 de agosto de 2025, em Oiapoque (AP), na fronteira com São Jorge (Saint-Georges), Guiana Francesa. O evento reuniu profissionais de saúde humana, saúde animal e meio ambiente do Brasil e da França, incluindo representantes de:

  • Brasil: Ministério da Saúde, Fiocruz, FGV, INPE, SVS-AP, DIAGRO
  • França: Institut Pasteur de Guyane, ARS Guyane, IRD

As atividades incluíram cartografia participativa, análise FOFA para vigilância em Saúde Única de leishmaniose e raiva, e construção de calendário ecológico.

Financiamento

Fundação Getulio Vargas (FGV), em colaboração com a Fiocruz.